quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Parte 10 - O Doce Veneno do Escorpião

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Tem cliente que fica com medo de me ligar por causa de preço. Certeza 
que tem menininha cobrando 300, 400 reais, mas acaba fazendo um, dois, 
ou, no máximo, três programas por semana, quando muito. Sei que, com
essa tal "fama" da Bruna Surfistinha, poderia até cobrar mais. Mas gosto do
que faço, não nego. Faz eu me sentir desejada, coisa que nunca fui. E, óbvio,
tem o lado prático. Sou uma pessoa prática: quanto mais programas fizer, mais
grana entra. Não perco tempo negociando preço. 
Um monte de caras fica chorando desconto, vantagens, exclusividade.
Não tenho saco para nada disso. 
Da mesma forma que entrei nessa, sei que vou sair. Não quero ser puta
o resto da vida. Trabalho para isso. Primeiro, me livrei de cafetão. Não vou
dar metade ou mais do que ganho para ninguém. Sim, tem um lado ruim, de
trabalhar sozinha, que é a insegurança. Atender em um flat ajuda um pouco. E
eu sempre fico com o telefone do cliente - e confirmo se é dele mesmo. "Me dá
seu telefone. Se pintar alguma emergência, eu posso ligar e desmarcar." Como
eles sempre marcam com algumas horas de antecedência, fica sussu. Até hoje,
nunca tive problemas com clientes agressivos. Ainda bem, né? Meu maior medo,
no fundo, é encontrar algum amigo do meu pai ou das minhas irmãs. Já fiz
programas com caras conhecidos, colegas do Bandeirantes até (que não me
reconheceram, mas eu fiz questão de contar: "Eu me lembro de você de algum
lugar, mas não é da putaria. Nós estudamos no mesmo colégio"). 
Sozinha, trabalhando de segunda a sexta, faço de 25 a 30 programas por
semana. Tem dias que rola até mais de cinco, mas também não é legal passar
muito disso. Cada programa, aqui no meu flat, dura uma hora e, por 200 reais,
faço oral e vaginal. Se quiser anal, já sobe para 250 reais (isso foi depois
da minha participação no Pânico, em junho, quando resolvi aumentar um
pouquinho, já que a procura aumentou:
antes, durante muuuuito tempo, cobrava 150 reais e 200,
respectivamente). Quantas vezes der para fazer nessa uma hora. E não precisa
pagar motel, flat, nada:
está tudo incluído. A menos que o cliente queira ir ao motel ou queira
me chamar no hotel dele (aí, cobro o dobro, por conta do deslocamento). 
Com esse jeito de trabalhar, já me permito folgar nos finais de
semana. Com todo mundo não é assim? Por que com uma garota de programa seria
diferente? 
Mesmo encarando tudo o que faço como uma relação comercial, confesso
que já tive pena de cliente. Lembro que pensei: "Pô, esse cara economizou um
tempão para estar aqui comigo". Como eu soube? Ele juntou tudo em notas de um
real. Isso mesmo!
Acho que era troco de busão, disso, daquilo. Juntou 150 reais, em
notas de um real. Ele ficou muito sem graça. Você se importa se eu pagar
assim. Não, não me importo." Aí, ele me entregou aquele bolo de notas e eu
contei para conferir enquanto ele terminava de se arrumar.
Na hora, senti um aperto. Imagina o trampo para juntar tudo aquilo. Só
que, dar de graça, no way. Pena, pena, negócios à parte. Outra coisa que
percebi nessa profissão é que ela também tem época de cheia e de vazante. Já
tinha falado que, no começo do inverno, a procura aumenta. Pois é: no final
do ano também, que é quando chega o décimo terceiro. Do salário normal, não
dá para tirar. Então, o cara aproveita a grana extra. Dá certo orgulho saber
que o cara trabalhou o ano inteiro e se deu de presente de Natal um programa
com você. Esses, até por conta disso, são os que aproveitam melhor a trepada. 
Um lado interessante de ser freelancer é agir conforme suas próprias
regras e convicções. Criar um padrão próprio de serviços. Lembra a história
das toalhas e dos lençóis? Pois é: pelos clientes, e por mim também, higiene
é básico. 
Tanto que, aqui no flat, tem uma toalha para cada cliente. Até brinco
que, quando parar de fazer programa, não sei o que vou fazer com elas. São
quase oitenta! Às vezes, eu perdia o controle de deixar juntar um tanto para
mandar para a lavanderia e, quando ia ver, não tinha mais muitas limpas. O
jeito era comprar novas. Virou coleção... Todas branquinhas, pois fica
evidente que estão limpas de verdade. O sabonete dos meus clientes é líquido
(acho nojento aqueles sabonetes em barra cheios de pêlos grudados, arghh,
passando de um cliente para o outro). Os lençóis, a menos que um cliente sue
muito ou suje de gel, eu faço render ao menos dois programas, sem dramas. As
camisinhas eu providencio. A menos que o cliente seja do tipo GG, que
geralmente traz as suas camisinhas de tamanho apropriado. 
Segunda, 9 
QUARTO PROGRAMA 
Repetimos a festinha. Os mesmos caras da outra vez. Só que hoje só
tinha dois, o voyeur e o dono do apartamento. Hoje teve "festa no apê". 
Infelizmente, o caubói não estava... Como das outras vezes, a festinha
foi tranqüila. Além de mim, tinha de novo a outra "prima". Enquanto eu fiquei
com o voyeur na sala, o outro casalzinho foi para o quarto. No começo, fiquei
sem graça, porque o voyeur (que hoje NÃO ficou só olhando) nunca tinha feito
com garota de programa. E digo mais: nunca tinha pulado a cerca!!! Um homem
quase perfeito, né? Pelo menos até hoje... 
Ele me perguntou se não pular a cerca é bom ou ruim. Nem queiram saber
a minha resposta.
Ele foi todo carinhoso comigo... Primeiro ficamos nas preliminares
durante um tempão. Depois, o chupei e ele gozou rapidinho. Ficamos esperando
para fazer a "troca".
O outro saiu do quarto e já veio para cima de mim de pau duro. Me
chupou um pouco e depois me pegou num papis e mamis até gozar.
Tomei um baita susto. Numa noitada, eu estava numa fissura danada e
desatei a cheirar. Nem tenho idéia de quanta coca eu aspirei naquele dia. 
Até uma hora em que parecia que eu não estava mais dentro de mim. Meu
corpo não respondia. 
Minha respiração estava estranha. Um gosto estranho subiu à minha
boca. 
Overdose. Me olhei no espelho e me vi morta: sem cor, a boca seca, os
lábios roxos. Meu coração, de tão disparado, parecia que ia explodir.
Apaguei. Eu sou espiritualista, pois acredito que, do "outro lado", tem tudo
o que temos aqui. Até hospital. Quando acordei, jurava que estava no hospital
"de lá". Estava literalmente numa bad trz. No meio daquela sensação irreal,
até hoje não sei se foi viagem minha, se eu vi, se sonhei, mas me lembro de
conversar muito com um homem, que não sei quem é mesmo, que me dizia um monte
de coisas. Inclusive para eu parar de cheirar pó. Não tinha nenhum homem por
lá, como percebi depois que acordei de verdade. Desse dia em diante prometi
para mim mesma que eu ia parar. 
Com a cara limpa, fiquei firme na minha decisão. Foi difícil, claro. 
Tive crises de abstinência, sentia muita falta e achava que estava
morrendo toda vez que acontecia. A Gabi me ajudou muito nessa época, me
apoiou e me agüentou desse jeito. Eu meio que me internei em casa: 
parei de ir às baladas, pois sabia onde encontrar cocaína facilmente e
não queria mais. 
Quando pintava aquela fissura, aquela vontade louca de cheirar,
pensava na minha vida, naquele sonho (viagem ou alucinação), no tal homem do
hospital. Lembrava que tinha entrado na vida de programa pensando em parar.
Mas cheguei a gastar 50, 70 reais por dia aspirando quatro gramas de coca. Da
pura, a mais cara. Nada de pó de giz ou de mármore. Era mais de 50% do que eu
ganhava. Dessa maneira eu não chegaria a lugar nenhum. Ou, talvez, só no
hospital do "outro lado". 
Após resolver parar com a cocaína, fiquei um pouco mais centrada nos
meus objetivos, vi como tinha sido boba de cair nessa. Por isso que tudo o
que vem fácil vai mais fácil ainda... Dinheiro "fácil" também vicia. E eu não
quero passar o resto da minha vida fazendo programa. Juntando tudo isso ao
fato de eu ser muito prática, criei um plano para me ajudar na disciplina. Eu
chamo de "meta do pé-de-meia dos quinhentos". Muita gente acha que é juntar
500 mil reais. Mas não é bem assim.
No começo, quando saí de casa, achava que ia fazer programa pelo resto
da vida. Com o tempo, vi que é um trabalho cansativo, física e
psicologicamente. Em 2004 surgiu a idéia de parar de fazer programa, voltar a
estudar. Na verdade, caiu a ficha de que preciso parar de fazer programa. Não
sei quando, mas preciso parar um dia. 
Só que, para isso, tenho que ter algum objetivo, alguma meta. Sentei
um dia aqui no flat e viajei alto, pensando em quanto custa um apartamento. 
Fiquei fazendo várias contas de coisas que quero comprar - e de quanto
precisava para poder comprar e me tornar "ex" de tudo isso, somando o que eu
já havia economizado. Daí, deu um absurdo, tipo quinhentos paus. Haja
programa. Eu não tenho como conseguir isso... Fui eliminando um monte de
coisas da minha "lista de desejos" e cheguei a 300 mil reais. 
Ganhar essa dinheirama, a princípio, assusta, porque é muito dinheiro.
Mais ainda se a gente considerar o jeito que ganho. Então tive a idéia de
dividir esses 300 mil reais em cotas, para amenizar - e eu não sentir tanto.
A conta foi simples: 300 mil divididos por quinhentas cotas seiscentos reais
cada cota. Peguei uma folha de papel e numerei de um a quinhentos. 
Assim, a cada seiscentos reais que consigo guardar e depositar no
banco, vou lá e risco o número correspondente da cota. 
Quando não tiver mais o que riscar, saberei que consegui os 300 mil.
Na verdade, já cortei outros itens da minha lista e baixei o total para 200
mil. Mas acho que, se chegar nos 100 mil, eu paro, mesmo não comprando
apartamento. De qualquer forma, já tenho meus planos de futuro. Tem meses que
consigo economizar até 8 mil reais. Parece que o futuro está chegando.
Desse tempo, vou levar algumas "heranças": dois piercings (um no
umbigo, outro no lábio inferior, o terceiro, na sobrancelha, eu tirei) e três
tatoos (o escorpião do meu signo na parte de trás do ombro, o coração na
virilha e uma frase na nuca, que eu tinha feito para meu ex-namorado - da
qual me arrependo muito:
"Thanks Du". Quando o namoro acabou, mudei para "Thanks Dad"). Além do
que "levo", tem coisas que deixei de conquistar. Fiquei dois anos sem
estudar, e a sensação de que tinha esquecido tudo foi inevitável. A certeza
também. Antes, eu não gostava de estudar. Mudei de idéia. Quero ir para a
faculdade assim que tudo isso terminar. 
O supletivo eu acabo em 2005 e, se conseguir passar no vestibular, em
2006 vou para a faculdade de Psicologia. Conheço um monte de gente que nunca
foi para a faculdade, mas que é empresário e ganha superbem. No entanto,
tiveram "paitrocínio". Como eu não tenho mais, me liguei que, para me dar bem
na vida, vou ter que estudar, querendo ou não, gostando ou não.
Terça, 28 
PRIMEIRO PROGRAMA 
Hoje foi a terceira vez que fiz programa com eles. Hoje eles não
quiseram ir ao motel e vieram no meu flat. Brincamos bastante juntos.
Primeiro, ela fez um strip rápido, mas o suficiente para os três se
empolgarem. Então, eu a chupei até ela gozar na minha boca. Bom, o que mais
curti foi quando ela estava cavalgando nele enquanto eu fazia um beijo grego
nela. Ah, também quando ela estava me chupando enquanto eu chupava ele...
Transei um pouco com ele, mas, surpresa, eles transaram bastante só os dois,
comigo de voyeur. Eu não gozei, embora ela tenha me chupado bem gostoso. Ele
também não gozou, pois ficou "segurando". Já ela gozou muito! Umas quatro
vezes, pelas minhas contas.
Engraçado: todos os meus amigos, hoje, já foram meus clientes. Com
certeza você não saca a amizade no primeiro programa. Como eu já disse, com
amigos eu não transo.
Nem pessoal nem profissionalmente.
E deixo claro isso.
Alguns conseguem ficar no fio da navalha: continuam clientes, mas
chegam muito perto de virar amigo, porém sem virar. É gostoso receber algumas
demonstrações de carinho deles. Muitos ligam só para saber como estou ou,
quando eu não escrevo no blog, só para saber se está tudo bem. Ganho muitos
presentes, também. Ganhei um CD que o cara personalizou com uma foto minha na
capa. O máximo! Outro dia, escrevi no blog que queria ler o Anjos e demônios
e um cliente trouxe o livro para mim. 
Também é bom na Páscoa, no meu aniversário...
No ano passado, comemorei meu aniversário em um clube de swing. Na
época, eu estava realmente viciada nesse tipo de lugar. Poder transar com
homens e mulheres, gozar de montão, aquele clima de putaria. Assumo que era
um prazer pessoal. 
Tem o lado baladinha, dançar, beber e conversar, e tem, claro, o lado
suruba. Mas não é tudo no mesmo ambiente (tem gente que acha que sim). Daí,
pensei: "É meu aniversário, eu curto o lugar e tem um monte de gente que
nunca teve coragem de ir no swing porque acha que é só inferno". Então, esse
monte de gente que não tinha coragem teve de ir ao swing naquele dia. Na
época, eu estava namorando e, lógico!, ele também foi.
Eu queria reunir tudo: meu aniversário, a curtição, realizar a
fantasia com meu namorado lá dentro, e com meus amigos também. Fantasia
realizada (a minha e a de um monte de gente, diga-se de passagem). Presentão.
Para quem não tem coragem (mas muita curiosidade), vou contar como é. 
Aqui em São Paulo tem um monte deles. Só aqui em Moema são sete! Na
fachada, porém, é um lugar comum. Não está escrito "casa de swing". Como a
maioria, eu imaginava que, logo ao entrar, já se via um monte de gente na
suruba, pelado, transando. Na verdade, tudo começa como uma balada normal:
bar, mesinhas, pista de dança. É onde rola paquera entre os casais, mas sem
putaria. Quando você começa a se aventurar para os fundos da casa é que o
bicho pega. Para chegar aos quartinhos, você passa por um labirinto (que nem
todas as casas têm): 
um corredor escuro, bem apertado, que força todo mundo a se encostar,
se esfregar. Dá para tirar um sarro gostoso, sem vergonha, pois mal dá para
ver quem está ali. 
Seguindo mais adiante, você chega nos quartinhos. Eles têm paredes de
treliça, para quem está fora poder ver tudo o que rola lá dentro (ou o que
conseguir ver, pois a luz também não é de estádio de futebol). Tudo funciona
para que a coisa seja mais tátil do que visual. Apalpou, gostou do que pegou,
libere geral. É uma coisa de maluco: chega a ter vinte casais transando ali,
ao mesmo tempo. Para os casais mais recatados, que ficaram xavecando no bar
ou na pista, geralmente há quartos privativos para quem quer trocar com outra
dupla apenas. 
O saco, nesses lugares, é que é dificil encontrar gente bonita. São
geralmente pessoas casadas, entre 30 e 45 anos. Nem muito novos, nem muito
velhos. Há várias casas que não permitem garotas de programa. Eu mesma já fui
barrada em uma dessas. Supõe-se que a garota esteja lá pela grana - e não
pela tara, pelo prazer. E eles não curtem isso: os casais estão em busca de
troca com outros casais, casados de verdade. 
Quinta, 31 
SEGUNDO PROGRAMA 
Foi um programa sussu, sem grandes lembranças. Depois que acabou, ele
me falou que tinha prazer com o sadomasoquismo. Ele é sado, que fique bem
claro. Só que não fala pelo telefone com a menina porque curte bater de
surpresa. Ele me contou que, quando chegou aqui, não teve coragem de me
bater. "Você não tem cara de garota de programa. Você é meiguinha e eu não
tive coragem de te bater. Vou marcar com outra amanhã só para bater nela."
Ainda bem... 
Já ouvi muitas histórias de meninas que passam por apuros no trabalho. 
Acho que, por pura sorte, eu não coleciono muitas passagens assim.
Uma das coisas que mais me incomoda no meu trabalho é a hora de
cobrar. 
Eu tenho vergonha. A ponto de, duas vezes, o cliente ter saído sem
pagar - e eu, sem cobrar. 
No ritual do programa, a grana é o último ato. Isso, tipo consulta de
psicólogo. 
Para esses dois, tive de pedir para a Gabi (que é quem atende meu
celular e marca os programas, pois nossas vozes são mesmo parecidas) ligar e
cobrar. Vexame, não? Um desses "caloteiros involuntários" voltou para pagar.
O outro, que já estava meio longe, ficou com os dados da minha conta e fez um
depósito. Gente do bem. Outras duas vezes aconteceram no swing um catalão de
pouco papo (não só pela língua, mas porque era caladão mesmo) aproveitou que
fui ao banheiro e se mandou! O outro eu até perdôo: tinha bebido muito,
passei mal e dou razão a ele de não ter querido pagar.
É engraçado, pois essa coisa com dinheiro parece que teve um fim.
Depois de tudo o que aprontei em casa, com meus pais, por causa de
grana, levar alguns calotes é uma forma de "resgatar" tudo aquilo. Mas outras
coisas também "vingaram" minhas aprontadas. Quando ainda estava na Franca,
tinha uma amiga, a Taísa. Ela era meio vagabunda (no sentido de não gostar de
trabalhar, mesmo) e não ganhava muito dinheiro. Como eu não tinha conta
bancária, guardava meu dinheiro na gaveta. Sempre saquei que desaparecia
dinheiro de lá, mas nunca acreditei que pudesse ser ela. 
Mesmo depois que fomos "saídas" da Franca e tivemos que trabalhar no
privê em Moema, e os pequenos furtos continuaram, nunca tive coragem de
encostar ela na parede. 
Não queria perder a amizade por causa de dinheiro. Uma noite, fomos a
uma balada na Vila Madalena. Na época, eu ainda cheirava. Além disso, naquela
noite, bebi muito. 
Passei mal, óbvio. No banheiro, achei que ela estava me ajudando, mas
senti a mão dela vasculhando meu bolso. Na hora, chapada, nem me atinei. 
Quando fomos pagar a conta eu percebi que meus 50 reais haviam sumido.
Arrastei a Taísa até o banheiro, junto com outra menina, e revistei ela
inteirinha. Nada. 
Na base da força, fiz ela tirar a roupa e... surpresa: os meus 50
reais estavam enroladinhos dentro da calcinha dela. Foi a gota d'água. Ao
chegarmos no privê, subi atrás dela no quarto, achando que ela ia me matar.
Quase. Muito cabelo puxado, arrancado, unhadas, tapas. Fechei o caso com uma
frase: "Você tem inveja de mim porque eu trabalho e você não. Não tem nada,
não. Amanhã, eu ganho outro dinheiro".
Outra vez que perdi dinheiro ocorreu no primeiro flat. Eu tinha
economias de 3 mil reais que simplesmente sumiram. A Gabi disse que, se fosse
com ela,
ficaria maluca. Eu nem quis saber se foi a empregada ou algum cliente. 
Quer saber a verdade? Nem fiquei triste. Acho que, de certo modo,
terminei de pagar pelo que fiz. Aqui se faz, aqui se paga? Pois é... 
Chega desse papo. Vou mudar de assunto. Acho realmente muito bacana
quando o cliente desabafa comigo. Tem meninas que acham um porre ficar
ouvindo história de cliente. 
Mas eu sinto que isso é uma parte importante do "pacote" para aqueles
homens. Eles não vêm aqui só para despejar esperma. E eles contam coisas que,
muitas vezes, não confessariam nem para os amigos ou a esposa. Há alguns que,
passado o susto, chegam a ser engraçados. Um desses chegou aqui e me disse
que havia comprado dois tijolos de maconha. Fiz cara de assustada (e estava
mesmo). Ele me pediu desculpas, mas tinha de contar para alguém. Outra vez, o
cliente fez questão de dar a entender que era o "fodão", bandido mesmo. No
entanto a transa rolou legal, sem sustos. Mas ao voltar do banho, ouvi ele
falando no celular: "Não. Vê se ele morreu mesmo. Porque, se não morreu, a
gente tem de acabar com isso". Ele falava tanta gíria no meio que eu quase
não entendia nada. Fiquei olhando bem para ele, e ele tinha cara de bandido.
Sabe aqueles que aparecem na TV no noticiário? Comecei a chorar, mas sem ele
perceber. Fiquei bem assustada.
Outras vezes, o susto é outro... Eu curto tentar adivinhar como é o
pau do cara assim que ele chega. Às vezes, acerto. Principalmente quem tem
pau pequeno. Engraçado, com esses está na cara. Não sei explicar, embora
acerte quase noventa por cento das vezes. Já o bem-dotado é sempre um enigma.
Tem uns caras que chegam e você imagina horrores. Na hora do vamos ver, não
que seja pequeno, mas não é o monumento que parecia ser. E há outros que, de
saída, você não dá nada por ele. Na hora que o bicho pega, surpresa! Já
cheguei a pensar "não vai caber". Se nem no teste da boca passa (só entra a
cabeça, mesmo), imagina na boceta. Confesso que em certas horas o tamanho
assusta. Mas sempre se dá um jeitinho.
Pessoalmente, não me ligo muito na estampa do homem ou no "tamanho". 
Alguns clientes, claro, eu gostaria de ter conhecido em outra
situação. 
Sim, me envolveria com eles: homens gentis, às vezes bonitos, outras
vezes não. Eu, como todas as mulheres, sonhava com o homem ideal. O meu tinha
de ser fiel. Hoje, já desisti de encontrar...
É o sonho do tipo impossível. Mas quero um companheiro. Que me dê
carinho, proteção - e que vai ter isso de volta também. Que tenhamos
cumplicidade entre nós. E não faço, mesmo, questão de beleza. Ela não me
importa mais.

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