quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Parte 4 - O Doce Veneno do Escorpião

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(mas eu já trabalhava lá, claro), ligavam de um orelhão para saber se
estava tudo certo, se não tinha risco de aparecer polícia. Eles vinham num
bando enorme, embora fosse tudo com muito respeito, sem zona. Parecia uma
excursão gigante, com os garotos usando as calças de agasalho azuis com a
faixa amarela e a camiseta básica de malha com o nome do colégio estampado no
peito. Vestidos assim, pareciam ainda mais crianças. A gente deixava a porta
da casa entreaberta e eles entravam correndo. Todas nós adorávamos aqueles
meninos. Eles não iam lá para zoar e gastavam bem.
Eu, com 17 anos, subindo com moleques de 12, 13 ou 14 anos. Muitos
eram clientes freqüentes, a maioria era virgem. Que estranho: eu, que era
inexperiente, estar na cama com alguém ainda mais inexperiente!
Mas acabava sendo natural. 
Nessa idade, os meninos são meio afoitos. No começo, foi estranho,
difícil até. Mas eu me acostumei. E descobri como fazer eles relaxarem e irem
até o fim. 
"Devagar." "Tá machucando?" "Sim, faz assim, ó." Não há cartilha que
substitua uma boa professora...
Acabava sendo quase sempre a escolhida. Afinal, não parecia tão mais
velha do que as meninas por quem eles já tinham batido muitas punhetas,
suspirando de paixão. Subia com o garoto. Só quando chegávamos ao quarto
alguns deles confessavam ser virgens. "Você não conta para os meus amigos que
é minha primeira vez?" "Não tenho por que contar , respondia. Nunca ri de
nenhum deles. 
Eu, rir da inexperiência? Ensinava como pegar nos meus seios, deixava
que me despissem, que me tocassem, me cheirassem, que vissem de perto como
era "a diferença".
Ensinava como abrir o primeiro sutiã da vida deles, aquele que ninguém
esquece. Ligava o som e conduzia meu show. Alguns foram alunos brilhantes.
Gostava de despir o uniforme do menino bem devagar. Era fácil tirar
aquelas calças de agasalho, que deixavam ver, antes de tudo, um volume
característico entre as pernas. Segurava nos seus paus bem duros, sem querer,
no entanto, que gozassem sem fazer nada. Na primeira vez, o risco de isso
acontecer, por causa da ansiedade, é sempre alto. Então, começava chupando,
para ajudar a relaxar. Acho que, quando chupo um garoto, ele curte mais do
que meter de verdade. E, claro, eles adoram.
Que tara, não? Com esses meninos, só de ir com a cara, deixei muitos
botarem na minha boca sem camisinha. Acho que ensinei bem muitos deles. E
foram, quase sempre, transas tranqüilas. Nada de malabarismos. Papis e mamis
bem gostoso. O negócio deles é meter e curtir. As fantasias e variações só vêm com o tempo. 
Com os mais experientes, não é bem assim.
Eu fazia de tudo para manter a fama de "santinha" com meus pais. 
Voltava da balada e comentava com eles apenas o quanto havia dançado.
Uma noite, porém, cheguei em casa com o pescoço bem marcado das chupadas do
Thiago, um menino com quem fiquei várias vezes. Nunca namoramos porque,
quando o vi no claro, a beleza que a escuridão sugeria não dava nem sinal de
existir. E também não queria mais machucar os lábios com nossos beijos. O
fato de nós dois usarmos aparelho fixo era mesmo torturante.
Mas o roxo das chupadas estava lá. Não houve maquiagem que desse
jeito. 
E olha que eu tentei.
Mamãe percebeu, claro, e me obrigou a ir à escola no dia seguinte com
uma blusa de linho que cobria o pescoço. Esforço inútil: passei o maior calor
e os hematomas não foram escondidos Não tive vergonha, não. A fama de galinha
no colégio pouco me importava. Era como se eu fosse um menino. Para eles, ter
fama de galinha era sinal de macheza. Para mim, era um troféu, a prova de que
alguém me desejou numa noite Uma noite de sexo selvagem, quem sabe? Eu sabia
da verdade. Eles, não. Esse era o grande barato. Foi o meu jeito de chamar a
atenção de todo mundo.
Eu, uma garota de 13 anos, cheia de espinhas pelo rosto, ainda meio
gordinha, mesmo com vinte quilos a menos, à base de regime. Nenhum garoto da
escola me dava bola, nem na rua, nem em lugar nenhum. Apenas na noite. No
escuro, eu devia parecer bonita. Como me pareceu o Thiago.
Nessas de me auto-afirmar, comecei também a fumar escondida dentro do
banheiro do colégio. Fui, sim, uma verdadeira maria-vai-com-as-outras. 
Eu andava com a turminha "do mal". Muitos deles, com 12 ou 13 anos, já
fumavam maconha. Eu não queria ser tachada de careta, mas ia ficar só no
cigarro de cravo, meu preferido. Que graça tinha dar uns tragos numa ervinha
enrolada num papel fino escondido pelos becos do Paraíso, em volta da escola,
enquanto matávamos aula? Só para ficar rindo à toa e falando merda, coisas
sem nexo? Queimei a língua assim que queimei meu primeiro beck, logo que fiz
14 anos.
Nessa idade, por mais que a gente se ache adulto, no fundo não dá para
ter muita convicção das coisas... Quando comecei a fumar, por exemplo, eu não
gostava do sabor, da tontura que sentia, nem sabia tragar direito - e isso
era a morte para mim.
"Olha lá a Raquel: não sabe nem tragar. Fazer papel de boba no meio da
turma? Treinei muito até conseguir esquecer o gosto ruim e a tosse.Tudo para
me encaixar no modelo, ser uma igual aos meus amigos. Igual? Amigos? Esses
"amigos" se foram. Os vícios ficaram. E não só esses. 
Com bebidas foi mais ou menos a mesma coisa. Eu não gostava do sabor,
não via graça. Alguém me viu e quem me vê...). Um dia, para mostrar que
estava por dentro, pedi para um cara do colegial, mais velho comprar uma
latinha de cerveja que entornei de uma vez para não ter de sentir muito o
gosto. Pedi outra e mais outra, também devidamente viradas em um gole só.
Depois da terceira, tudo estava girando. Entre a euforia e o calor da
bebedeira, tinha o medo de que algum paisana, um daqueles seguranças do
colégio que ficavam disfarçados rondando a vizinhança para pegar alunos
fazendo bobagens, me desse um flagra.
Todo esse esforço para ser cool, fumar, beber e badalar começou a se
refletir nos meus boletins que, quando eu não conseguia interceptar nas
correspondências com a ajuda do porteiro do prédio, misteriosamente chegavam
às mãos da minha mãe. (Lá estavam as faltas que eu sempre tentava justificar
dizendo que o professor não ouvia minha voz dizendo presente) e as notas a
cada dia piores, mais difíceis de explicar. Nada disso, porém, me impediu de
continuar mentindo e aprontando. 
Para compensar a bandalheira, não podia dar bandeira com as notas da
escola. Como cabulava todo dia, e não conseguia entender nada das matérias
pelos livros, comecei a colar. Os exames das diversas séries, no
Bandeirantes, são impressos em papéis coloridos. Simples: eu comprava papéis
da mesma cor das minhas provas e, em casa, copiava neles a matéria que eu
achava que cairia. A idéia não era minha: vários alunos do Bandeirantes
faziam isso. Eu, para variar, só acompanhei a massa. Quando o professor não
estava olhando, enfiava essa folha no meio da prova. 
Perfeito! 
A tática funcionou comigo até a última prova do ano, de História. Só
precisava de um ponto para passar, mas caí em tentação. E também nas garras
da professora. Expulsa da sala, no caminho para casa, andava meio atordoada,
assustada com o que meu pai diria ou faria, e quase fui atropelada. Antes
tivesse sido. 
Enrolei muito para subir. Toquei a campainha. Meu pai abriu a porta.
"E aí, filha, como foi na prova?" Desandei a chorar. Para minha surpresa, ele
me abraçou. 
Comecei a chorar ainda mais, agora de vergonha. "Se souber, o senhor
vai querer me matar." 
Contei a verdade, esperando sentir sua mão me batendo. Nem sei por
que: 
ele nunca havia encostado sequer um dedo em mim.
Ele só quis saber o que me levou a isso e me fez prometer nunca mais
colar. Essa não seria a única surpresa, nem a única lição que tirei daí.
No dia em que minha mãe foi chamada ao colégio para conversar com a
professora, esta disse que era normal os alunos colarem. E que minha cola
estava muito grande. 
Rindo, mostrou aquele papel enorme. "Você tem que aprender a fazer
umas menores." Não acreditei: ganhei uma lição de "faça você mesmo". Ela
ainda me elogiou, disse que me daria o tal ponto por eu ter sido uma aluna
que não dava problemas. Eu? Que aprontei todas nas aulas dela - isso quando
eu ia. A generosidade humana tem caminhos realmente muito estranhos. 
Já estávamos no quarto há quase meia hora. Apesar da rapidez, tanto o
primeiro quanto o segundo tempo foram muito bons. Tínhamos mais meia hora,
mas o mocinho não dava sinais de que chegaria a uma terceira gozada. Deitado
ao meu lado, os dois nus, ele me pediu colo. Se aconchegou nos meus braços e
lá ficou, brincando com os dedos nos meus seios, deslizando pela barriga e
voltando. Foi ele quem quebrou o silêncio. "Eu tenho tesão pela minha própria
mãe." 
Gosto de conversar com meus clientes. Converso muito e eles acabam se
abrindo comigo. Já ouvi cada coisa... É o meu lado psicóloga. Queria ser
psiquiatra, mas sei que não conseguiria nunca entrar em medicina. A
psicologia está ali, bem pertinho. E é isso que vou fazer, quando voltar a
estudar. Material para estudo é que não vai faltar. Bem, não era esse o
assunto. Eu já tinha lido Édzpo, aquele livro que fala do sujeito que sentia
atração pela mãe, a Jocasta. 
Porém, para mim, aquilo não passava de uma ficção da tragédia grega.
Até aquela confissão à queima-roupa. Aquele cara, com sua franqueza,
despertou minha curiosidade. 
Falamos muito sobre isso e ele me contou que sua mãe engravidou dele
muito novinha, com 16 anos. Ele já devia ter uns 44 anos, pois, segundo ele,
a mãe estava com 60. 

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