quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Parte 5 - O Doce Veneno do Escorpião

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A atração vem da infância (olha que coisa freudiana!). Quando ele era
menininho, a mãe ficava andando de calcinha e sutiã pela casa, bem à vontade.
Essa imagem ficou impressa nele. Tomavam banho juntos e tudo. O desejo e a
fantasia o acompanharam a vida toda. Mesmo hoje, na idade em que está, o cara
é fissurado por transar com ela. Depois do programa, ele disse que me daria o
quanto eu quisesse se conseguisse fazer com que ela fosse para a cama com
ele. Dei corda na história e pedi dez mil reais. Confesso que o dinheiro era
tentador, mas não tinha
a menor idéia de como convencê-la a dormir com o filho. Ele me contou
como imaginava que seria o sexo, de como ele ia tirar a roupa dela, cheirar
sua calcinha, lambê-la inteira, as posições. Mil fantasias.
Que continuam só na cabeça dele. 
Na lista de "desejos inconfessáveis", os que mais mexem comigo são os
de pedofilia. Um dia, vou casar e ter meus filhos. Tremo com essa
possibilidade. A primeira vez que um deles se abriu (e foram muitos depois
dele) eu tinha 18 anos e ainda não tinha colocado silicone (o que aconteceu
alguns meses depois do meu aniversário. 
Foram 240 mililitros em cada seio, mais pelo trabalho do que por mim
mesma. Nunca ouviu falar da "espanhola"? Vou falar disso depois). Meu corpo,
naquela época, era bem de menininha. Parecia que eu ainda tinha 15 anos.
Isso, eu sabia, deixava alguns clientes malucos. "Filhinha, vem com o titio,
deixa eu comer você. Mas esse, no meio da conversa, depois do programa, se
confessou pedófilo. Me perguntou se eu não conhecia alguma  menina menor de
idade, de 13 ou 14 anos no máximo. E nisso também ele não foi o único. Chegou
a me contar como o desejo despertava. Ele sente tesão pela sobrinha de 5
anos. Foi contando e um filminho foi passando pela minha cabeça. Ele coloca a
menina no colo dele, um carinho normal entre tio e sobrinha. E o p... dele
fica duro na hora. A criança não percebe nada, não tem como saber, não
entende o que está acontecendo. Ele tentou tocá-la, passar suas mãos nela
enquanto dormia, mas a menina acordou. Não julgo ninguém, nem suas fantasias. 
Quem sou eu? Mas me dou o direito, sim, de ficar assustada e de ter os
meus limites. 
Minha vontade de descobrir tudo sobre a vida parecia não ter fim
quando fiz 14 anos. Claro, sobravam dúvidas. Uma delas dizia respeito à minha
sexualidade. Já havia dado muito prazer aos garotos que masturbei nas
baladas, já havia segurado muitos p... duros, mas não sabia se aquele era o
limite do prazer. 
Tinha curiosidade de saber como era ter contato com o corpo de outra
mulher. E muito medo também. E se fosse lésbica? Naquela fase da vida, só
existem duas cores: o preto e o branco. 
Se não sou preto, só posso ser branco. Mas procurava não pensar muito
nisso. 
Um dia, na escola, o garoto que sentava na minha frente levou uma
Playboy. Ele começou a olhar a revista no meio da aula, e eu de papagaio de
pirata, superantenada no que via. Nunca tinha visto revistas de mulheres
nuas. Essas coisas não entravam na minha casa. Imagine a vergonha de comprar
uma na banca. Pedi para ver. Ele me emprestou e eu adorei. Na hora do
intervalo, não tive dúvidas:
roubei a Playboy do menino, enfiei na mochila e levei para casa. Eu já 
tinha me masturbado vendo a O Magazine - tinha comprado montes delas. 
Mas nunca tinha gozado vendo aqueles caras de p... duro. Quem sabe se,
olhando para as mulheres, eu finalmente gozaria. Bingo! Depois dessa
conquista, a do orgasmo vendo fotos de mulheres, a curiosidade tinha de sair
do papel e ir para a realidade. 
Fui a uma festa de debutantes com uma amiga - superamiga - e combinei
de dormir na caso dela depois. Bebemos champanhe até não poder mais, ficamos
bem alegrinhas. 
Em casa, ela resolveu tomar banho. 
"Pô, você tá demorando aí dentro. "Não tô te ouvindo." 
Entrei no banheiro para brigar com ela. 
"Eu também quero tomar banho." 
"Entra aqui no box, então", ela respondeu, na boa, sem malícia. Aí eu
entrei...
lembro a sensação de prazer e torpor de estar ali, frente a frente com
outra menina, nua, tomando banho diante de mim. "O que foi?" "Nada." O tesão
foi tomando conta, mas não dei o primeiro passo. Apesar daquela confusão toda
dentro de mim, do desejo, da vontade, da disponibilidade, do medo, achei tudo
estranho. 
Eu só olhava. Isso passou, porém, assim que ela tomou a iniciativa. 
Debaixo do chuveiro quente, o banheiro esfumaçado, nós duas ali,
molhadas, em silêncio, e as mãos dela passeando delicadamente por mim, pelo
meu corpo. A cada toque, me deixava levar. Retribuia. 
Recebia de volta. Um corpo igual ao meu. Um sexo igual ao meu. 
Feminino, arredondado, suave. Ficamos naquela noite e foi muito bom. 
Nunca mais isso se repetiu com ela. Ambas ficamos envergonhadas.
Também nunca falamos a respeito daquela noite. E a amizade esfriou. Como
posso contar ou ouvir coisas de uma amiga com quem já fui para a cama?
Voltamos a nos reencontrar, algum tempo depois; nos reaproximamos, mas a
amizade nunca mais foi igual. Acho que não deveríamos ter ficado naquela
noite. Preferia ter minha amiga de volta, por melhor que tenha sido a
experiência. 
Um dia, pintaram dois clientes juntos. "Vocês querem ir um de cada
vez?" "Queremos ao mesmo tempo." Uau! Será que eu agüento? Nunca tinha feito
dupla penetração (a tal DP). Dizem que a curiosidade matou o gato. No meu
caso, o gato (ou a gata)
tem sete vidas e continua vivinho. "Vamos nessa!" No início, nem sabia
para quem eu dava mais atenção. Comecei chupando um, quando o outro veio e se
ajoelhou ao lado do amigo e eu passei a fazer rodízio de picolé. Beijava um,
depois o outro. Fiquei pensando se ia rolar alguma coisa entre eles, como
costuma rolar entre as mulheres num ménage. Mas saquei que entre eles não
haveria contato 
nenhum. Só as cabeças dos p... encostavam uma na outra, e mesmo assim
quando eu juntava e tentava chupar os dois ao mesmo tempo. Missão difícil..,
embora não impossível. 
Estar com dois homens à minha disposição me deu uma incrível sensação
de poder. Um deles se deitou e eu comecei a chupá-lo de quatro. O outro veio
por trás e cravou na minha boceta Depois de ficarmos um tempão engatados
nessa posição, o que me comia por trás resolveu colocar no cu, O que eu
chupava escorregou por baixo de mim e, com muito jeito, penetrou minha
boceta. Senti os dois paus brigando dentro de mim. E olha que não eram dos
pequenos. "Tá sentindo a luta de espadas dentro de você?" 
"E que luta..." Tudo bem que os movimentos ficam mais contidos. Melhor 
ainda: dá para fazer tudo num ritmo diferente. E descobri que adoro
DP. 
O que estava no anal gozou primeiro e saiu do quarto. Rolou um tempão
ainda comigo cavalgando o outro, até ele gozar. Só depois que terminou é que
vi que a gozada do primeiro tinha escorrido para o lençol. Ai, que saco... 
A rotina das garotas de programa tem um lado bem pouco glamouroso. Eu
dividia meu quarto ajeitado, mas simples, com as camas, armário grande,
espelhos e uns quadros impessoais na parede, parecidos com os de hotel, com
outras quatro garotas. Nada que lembre o que se vê no cinema, por exemplo,
com penteadeira de puta cheia de badulaques. Como também era lá que
trabalhávamos, tínhamos de cuidar da limpeza geral. Nos revezávamos na
varrição, na hora de tirar o pó. Nem todas curtiam o trabalho, mas ficar num
lugar sujo não rola... Lavar a roupa de cama e a toalha dos clientes era
tarefa da lavanderia. Mas são as garotas que trocam. 
Senão, dá nojo. Só que (segredo) não é uma roupa de cama para cada
cliente. Tem vezes que é a mesma o dia todo, onde vários homens já se
deitaram. Dá uma esticadinha e pronto. Eu vivia pedindo à gerência para poder
trocar. Como não tinham tantos lençóis assim, e não dava para gastar tanto
com lavanderia, a gerente ficava brava e dizia não. Às vezes eu sujava o
lençol de propósito com gel só para não ter jeito. Ela brigava comigo, claro.
Mas eu não estava nem aí. Nessas ocasiões, precisava mesmo trocar... 
A primeira vez que mudei de casa foi sete meses depois de começar a
trabalhar, mais ou menos. 
Na verdade, a cafetina da Franca me expulsou, junto com mais duas
meninas, porque alguém dedurou que fumávamos maconha escondidas. Apesar de
ter conhecido meninas bacanas, com histórias bem parecidas, rola muita
inveja. Afinal, uma garota é concorrente da outra. Por isso, nunca quis ir
trabalhar em casas como o Café Photo ou o Bahamas. 
Imagina: se já rola isso entre dez, no privê, o que não deve rolar com
cem? Também não curto ter de ficar xavecando cliente para ele fazer programa
comigo: ou ele me quer, vem e transa, ou estou fora. Como nessa profissão o
que vale é seu corpo, também tem aquela de a garota ficar botando defeito na
outra. E não é fácil fazer amizade de verdade nesse meio. Nunca trabalhei em
empresa, mas acho que deve ser igual... Quando você é escolhida pelo cliente
então, tem de sair da sala de costas, porque, nessa hora, abrem a tampa do
serpentário. Numa dessas, uma inimiga oculta resolveu dar com a língua nos
dentes com a história do beck só para me foder. Deu certo. 
Acabei indo parar numa casa amarela, na alameda Jurupis, bem perto do
shopping Ibirapuera. Tinha de continuar a viver. E a trabalhar. Por ironia do
destino, isso durou poucos meses. A Mari me ligou um dia dizendo que tinha
muitos clientes indo embora da Franca sem fazer programa por não me encontrar
mais lá. Resultado: a cafetina, Larissa, teve que engolir um pouco o orgulho
e me chamar de volta. Gostava da casa e voltei, mas só para trabalhar, já que
eu tinha alugado um flat para mim, na Miruna, em Moema. 
Apesar de ter torrado muita grana com bebida, maconha e cocaína, eu
tinha juntado um dinheirinho lá na Franca, antes de me expulsarem. Como não
conseguia abrir conta em banco nenhum (tente fazer isso com 18 anos, sendo
garota de programa, sem profissão reconhecida e sem endereço fixo, a não ser
o do privê), ficava andando com o dinheiro dentro de um saquinho, na maior
insegurança. Aluguei o flat mais para ter onde esconder as minhas economias -
e dormia lá porque "já tava pago mesmo"... 
A volta para a Franca não foi o que eu esperava. As meninas que eu
conhecia não estavam mais lá e tudo ficou muito estranho. Precisava de ação,
de novidade, de um horizonte. Também estava deprimida, sem rumo e queria
muito parar com o pó. Sabia que se não desse uma virada na minha história, ia
me perder total, sem objetivo, só trepando o dia todo para cheirar e fumar
tudo depois do expediente. 
Enfim: 
a imagem da puta sem esperança, que vira bagaça e acaba sozinha
fazendo ponto numa calçada ou pendurada numa janela de um casarão velho. 
Pensava só em juntar dinheiro para poder ser mais dona do meu nariz,
sem ficar sustentando cafetão. 

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