quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Parte 9 - O Doce Veneno do Escorpião

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Dessa vez chorei mais e fiquei várias noites sem dormir, imaginando
quem poderia ter feito isso e por qual motivo. Consegui recuperar minha senha
novamente, porém desisti de manter o blog. Até que um amigo que trabalha com
informática me sugeriu que eu tivesse um site particular, no qual poderia
continuar com o blog e ainda colocar minhas fotos. 
Foi com este site que comecei a ter sucesso. Com as fotos conquistei a
credibilidade das pessoas que não acreditavam que aquele blog era de uma
garota de programa de verdade. Eu recebia vários e-mails de pessoas duvidando
de mim. 
Muitos, inclusive, achavam que era um homem fantasiando tudo aquilo.
Foi com esta mudança de endereço eletrônico que o meu blog adquiriu
repercussão. Até porque muitos pensaram - e ainda pensam - que o fato de as
minhas senhas terem se perdido foi um lance de marketing para chamar atenção. 
De uma hora para outra havia tantos visitantes no blog que fiquei
assustada. Algo tão espantoso acontecia que o próprio iBest me chamou para
dizer que o meu blog estava em segundo lugar no top link. Eu não tinha noção
de que isso pudesse ir tão longe. No começo, me assustei com essa
repercussão. É estranho imaginar que um monte de gente sabe da sua vida, como
se estivessem invadindo minha casa e revirando as gavetas. Ao mesmo tempo,
descobri que era isso exatamente o que eu queria:
que as pessoas lessem sobre a minha vida. Ao menos sobre a pública.
Não a da Raquel, mas a da Bruna Surfistinha.
Fui dormir pela última noite naquela casa. A conversa tinha me abalado
muito. Realmente, meu pai não confiava em mim. Nem na minha capacidade de me
cuidar sozinha.
Ele fez com que me sentisse uma inútil. Prometi a mim mesma que essa
seria a última vez que permitiria isso. Vindo dele ou de qualquer outro homem
na face da terra. 
Alternei momentos de angústia e de grande excitação. Em poucas horas,
seria livre para ir onde quisesse, para fazer o que me desse vontade. 
Amanheceu um dia lindo. Não sei por que, mas algo acontece dentro de
mim quando o sol brilha num dia frio. Cria-se uma sensação de irrealidade, de
sonhar acordada:
aquela luz forte no céu azul, mas que não pode aquecer. Uma linda
mentira. Essa foi a primeira coisa que vi, quando acordei às dez horas da
manhã. Logo o encantamento desse cenário de sonho deu seu lugar à realidade
de minha dúvida mais cruel: é isso mesmo o que desejo fazer da minha vida?
Sabia que, se saísse, seria para sempre.
Não teria volta. Nem por mim, nem por meus pais.
Preparei minha mochila do colégio com algumas peças de roupa. Não
poderia sair dali com uma mala.
Ao vasculhar o armário, vi cada peça de roupa e lamentei não poder
levar todas elas. Separei umas calcinhas, uma roupinha para dormir, uma
camiseta, uma blusinha, alguns biquínis para trabalhar e, com a roupa do
corpo mais o casaco que vestiria, estava feita a minha bagagem. Minha gatinha
só observava a movimentação. Tentei escondê-la dentro da bolsa, mas ela não
topou. "Bem", pensei, "mais uma coisa que vai ficar para trás, com minhas
roupas da Guaraná Brasil e da Pólo Ralph Lauren, meu quarto e minhas
lembranças." 
Fui para a sala e fiquei sentada à mesa de jantar, fingindo fazer
minha lição de casa. Na verdade, fiquei olhando para minha mãe, silenciosa,
de costas para mim, preparando algo na cozinha. Reconhecia que ela não
merecia passar por tudo aquilo. No entanto, era o que eu queria fazer. Ou o
que tinha que fazer. Pensava que, em pouco tempo, ela perderia duas filhas:
minha irmã mais velha e também minha madrinha, que conheceu um americano pela
internet e se mudou para se casar lá e não voltou mais. 
Estava eufórica por um lado, embora triste por outro. Olhando aquela
mulher que um dia abriu mão da própria vida para ficar com um marido, cuidar
da casa e dos filhos, até de mim, que não era sua filha de verdade, senti uma
imensa vontade de dividir com ela minha decisão. Mostrar que nada daquilo era
por ela, mas por mim. Eu até poderia seguir seus
passos e abrir mão de mim, fazer tudo igual ao que ela tinha feito. 
Bati o martelo.
Sem perceber, comecei a colocar tudo o que queria dizer a ela no
papel. 
Não foi premeditado. Foi espontâneo e sincero, como há muito tempo eu
não conseguia ser. 
Agradeci por tudo o que tinha feito por mim, pedi perdão pela dor que
ela sentiria, mas deixei claro que estava indo buscar a minha felicidade,
onde quer que ela estivesse. Desejei que, dessa maneira, ela e meu pai também
pudessem voltar a ser felizes, sem mim, sem meus problemas. Reli a carta, que
parecia a de um suicida.
Não conseguiria escrever nada diferente, porém. De certa maneira, algo
morria em mim naquele dia.
Deixei a carta em cima da mesa, apanhei o fichário e a mochila. Eu
sempre saía pela porta da cozinha. Passei por minha mãe, que estava fazendo o
almoço, de costas para mim, encostada na pia. "Tchau, mãe." Ela não me
respondeu. Ela não se virou. Eu sabia que era para nunca mais. Ela não.
Fiquei parada na porta um segundo, olhando para ela. Ela não se virou. Me
arrependo tanto do abraço que não tive coragem de dar naquela hora. Eu amo
minha mãe. Ela não sabia. Ela não se virou. Não veio nenhuma palavra, nenhum
gesto. Nem dela, nem meu. Me virei. Em silêncio, fechei a porta atrás de mim.
Tchau, mãe.  
O diário de uma garota de programa   
Quarta, 27
PRIMEIRO PROGRAMA
Perfil do cliente: a princípio, doidinho. Depois, até que ficou
legalzinho. E é muito safadinho. Não rolou química nem afinidade.
Estilo do programa: mecânico.
Fato interessante: ele comeu minha boceta pensando que fosse o cu Mas
a culpa não foi minha. Eu juro.
Fato engraçado: ele jurou que eu tinha fumado um beck. Não era
verdade. 
Eu juro.
Primeiro tempo: nos chupamos, mas ninguém gozou assim. Ainda bem. Daí,
cavalguei até ele virar os olhinhos.
Segundo tempo: fiquei de quatro e fizemos anal... ops... vaginal, até
ele gozar.
Desde junho de 2004, meus relatos no www.bruna surfistinha.com eram
todos desse jeito: padronizados, bem físicos, sem muitos detalhes. Era uma
época em que chegava a fazer até dez programas por dia. Não sobrava muito
tempo para escrever tudo. Eu só tinha tempo, entre um programa e outro, de
anotar tudo em um papel para depois jogar no computador. Mesmo assim, por
causa do blog, virei uma espécie de musa inspiradora para as punhetas de
meninos e marmanjos. E comecei a ter certa notoriedade. 
Não era bem isso o que eu queria, mas, já que aconteceu... 
Em agosto de 2004, a revista Época me procurou para entrevistas; uma
edição especial da Capricho (Mina) também fez matéria comigo. Dei entrevista
para a Vzp, diversos jornais e umas revistas de sacanagem; apareci em vários
sites, participei de chats e, um dia, me chamaram para ir ao Superpop,
programa da Luciana Gimenez. Foi uma chance dupla: primeiro, ia mostrar meu
rosto para que acreditassem que eu existia e era eu mesma (sim, tinha um
monte de Brunas Surfistinhas falsas começando a pipocar por aí usando o meu
nome, como a tal Samara, que se passou por mim no Orkut e até criou uma
comunidade: 
CHEGA DE BRUNA SURFISTINHA. 
Em segundo lugar, acreditava que meus pais iam me ver e perceber que,
sim, faço programa, mas estou bem.
Não estou jogada em qualquer canto. Mesmo as entrevistas eu dei
pensando nisso. Até mesmo a do Pânico, da rádio Jovem Pan (divertidíssima). 
Por sinal, eles foram muito gentis, por mais que eu tivesse medo de
que fossem zoar comigo - o que não aconteceu. Eles até evitaram abrir para
perguntas dos ouvintes. Sei lá, acho que é uma lição de vida para todos nós.
Torço para que, no dia em que tudo isso passar, eu possa voltar a me
aproximar deles. 
No dia em que fui ao Superpop, os efeitos da exposição aconteceram
antes mesmo de eu aparecer no ar - ou de sair de casa. O carro da produção
chegou na recepção do flat e o motorista pediu para me avisarem. O porteiro,
claro, perguntou se eu ia aparecer na TV e, mais óbvio ainda, assistiu ao
programa, que é ao vivo. Não precisa dizer que a história se espalhou. Isso
não mudou a forma como os funcionários daqui me tratam. 
Só teve uma época em que o gerente pegou no meu pé, dizendo que os
outros hóspedes estavam se queixando de eu trazer muitos homens para cá. Eu
nunca vi ninguém no corredor... Era coisa dele mesmo. No entanto, ao verem
que me tornara "famosa", acabou. Passaram a me respeitar mais (não que tenham
me desrespeitado em algum momento). 
Percebi que o blog, além de atrair muita gente que nunca tinha feito
programa comigo, também podia ser um "algo mais" de diversão para os meus
clientes. Eles adoram ver qual é a minha avaliação de sua performance. Tanto
que há, até hoje, um aviso: OS PROGRAMAS MAIS "INTERESSANTES OU BACANAS" DA
SEMANA. 
CASO VOCÊ TENHA FEITO PROGRAMA COMIGO NESTE PERÍODO, E EU NÃO RELATEI,
NÃO SE DESESPERE. 
TENTE NOVAMENTE QUANDO PUDER... E muitos realmente tentam muitas
vezes. Bom para os negócios, não? 
Quando a vida estabilizou numa média de cinco ou seis programas
diários (de segunda a sexta, só depois do almoço), resolvi apimentar meu
blog. 
Mas tudo sempre pensando em não entregar o cliente. Só ele sabe de
quem estou falando. Há coisas como uma tatuagem, o lugar de um piercing,
algum detalhe do corpo ou de personalidade que podem acabar dedurando o cara.
E essa não é a minha intenção. A gente sabe que tem meninas de programa que
acabam infernizando a vida do cliente, até chantageando.
Mas essa, definitivamente, não é a praia da Surfistinha. Meu barato é
outro.
Uma coisa que todo mundo sempre pergunta é se consigo ter prazer com
meus clientes. Claro que sim. Por mais profissional que seja, se rola
química, afinidade e tesão, não vou aproveitar? Afinal, brincar em
serviço é o meu serviço. Sou paga para realizar as fantasias dos
outros (por mais que eu tenha as minhas, guardo para mim. Como "pessoa
jurídica", tenho minha rotina profissional de fazer as coisas, é um "padrão
Bruna de qualidade"). 
Apesar desse lado lúdico e de "conhecer" tanta gente, confesso que
rola uma solidão. Não consigo ficar sozinha. Tenho de cuidar de alguém e
sentir que alguém cuida de mim. Não sou uma máquina. Percebo que vai
acontecer algo legal quando o cliente está realmente a fim de me dar prazer.
Se é isso o que ele está querendo, por que não dar a ele? Ou, ao menos, me
esforçar. É certo que às vezes não rola. 
Nem com o que costumo chamar de "esforço interior" - exercícios de
pompoarismo, com os músculos da vagina, que potencializam a força do orgasmo.
Eu uso essa "força" para os clientes que fazem questão de que eu goze. Para
ir mais rápido... Esses, certamente, não entram no blog... 
Apesar dessa vida que levo, consegui ter, além de muitos rolos, alguns
namorados. O último durou quatro meses. É, pouco tempo. Mas, para quem tem
uma rotina como a minha, foi um longo tempo. Nos conhecemos por intermédio de
um amigo comum. Bem, não era amigo, até virar. Esse menino começou a me ligar
diversas vezes, e começamos a conversar muito. Comigo, virou amigo, nada de
transa. Não faço sexo com meus amigos. Uma noite, eu estava à- toa no flat
com a Gabi e falei para ele vir e trazer um amigo para ficar com ela. 
Nada de putaria: queria companhia mesmo, jogar conversa fora e, se
rolasse algo, seria pessoal. Ele trouxe, sim, um amigo: meu namorado! 
Quando nos vimos, foi uma coisa de filme, arrebatadora e recíproca.
Ele sabia quem eu era, que fazia programas e tudo. Mesmo assim, ficou comigo
naquela noite e começamos a namorar. A sensação era ótima: voltava a ser
apenas uma mulher que gostava de um homem e que sentia algo por ele. 
O namoro era como o de qualquer menina da minha idade: sair, cinema,
dançar, ficar bundando em casa, rir, conversar e, lógico, transar. Sei bem
separar o sexo de trabalho do sexo com o namorado, com amor, ou paixão, ou
seja lá qual for o barato da relação. Minha cabeça e meu corpo estão
cansados, mas quando encontro a pessoa que está comigo, eu quero transar, de
verdade. Às vezes, é um esforço para mim. Mas é péssimo não dar atenção a
quem está com você. Afinal, o cara já agüenta a barra de namorar uma puta e
eu ainda deixo faltar logo sexo para ele? Mesmo sabendo de saída tudo sobre
mim, assim como os que vieram antes dele, ele não conseguiu segurar a onda da
minha profissão e da exposição que começou a rolar com o blog e tudo mais,
meus "15 minutos de fama". Que pena: esses minutinhos vão passar e eu vou continuar aqui, sendo
eu mesma.
No meio de todo aquele brilho, de toda a atenção que recebia por causa
das entrevistas e, claro, dos programas de tv, teve gente que me conhecia
antes e ligou para mim, numa boa, para conversar. Teve gente, por outro lado,
que ligou para me lembrar de que ser uma puta tem seu preço em qualquer
tempo. Um menino que estudou comigo no Bandeirantes telefonou e me deixou
péssima. "Ê, Raquel, quem diria, hein?... Virou puta! O que mais me doeu é
que o propósito dele era me machucar. "Todo mundo que estudou com a gente
está no segundo ou terceiro ano da faculdade e só você virou puta." Ele me
inferiorizou, me tocou de um jeito que eu não queria. Com certeza eu já tinha
pensado nisso, em como era a vida de quem tinha estudado comigo, que todos
estavam progredindo. Até hoje não sei bem por que ele fez isso. Ele não
ganhou nada me violentando desse modo. Porém, já que eu saí na chuva... 
Tem quem acredite que garotas de programa não sentem carência, vontade
de transar só por transar. Que babaquice. Seria o mesmo que dizer que um
cozinheiro não sente fome. Deve ser por isso que, mesmo trabalhando com sexo,
eu viva me masturbando. Quero chegar ao prazer com minhas próprias fantasias.
A última aprontada que eu dei como "pessoa física" acabou levando o cara a
ser demitido. Isso mesmo! Quem me contou o desfecho da história foi a Nataha,
uma amiga que vira prima nos programas surubinha quando os clientes não
trazem sua própria "priminha". Nós duas tínhamos ido a uma balada normal, por
diversão, lá nos Jardins. Cheguei a contar no blog, dizendo em que casa tinha
sido (é provável que algum dedo-duro tenha lido e, por causa disso, o cara
foi demitido). Fiquei maus, mas era ele que estava trabalhando, não eu... Eu
tinha bebido muito. Quando isso acontece, fico fácil, perco mesmo o controle.
Aliás, acho que toda mulher nessa situação fica fácil e com tesão. 
A casa tem dois ambientes. Eu estava no andar de cima, onde ele
trabalhava como garçom no bar. Percebi que ele me olhava - e fiquei olhando
de volta, claro, paquerando na caradura. Em certo momento, fui buscar outra
cerveja no balcão; ele se insinuou para mim e eu não agüentei: dei um beijo
nele. Pedi a ele um guardanapo para eu anotar meu telefone, para a gente se
encontrar fora dali. "Não, vamos fazer o seguinte: eu vou ao banheiro, você
dá um tempo e me segue. A gente fica lá, rapidinho." 
Foi mais de meia hora... Quando a gente saiu, tinha uma baita fila na
porta. O banheiro é unissex e eu saí morrendo de vergonha. Fazia um tempão
que eu não transava
com quem eu quisesse. Precisava transar assim, com quem eu estivesse a
fim - e não por dinheiro. Já tinha perdido as esperanças de me envolver
novamente com alguém. 
Mas, no dia dos namorados de 2005, me senti uma garota comum de novo:
fui pedida em namoro. Isso mesmo!!! Pelo Pedro. Ele era casado e sempre
falava de como o casamento ia mal, que não se separava por causa das duas
filhas pequenas. Nunca tinha saído com nenhuma garota de programa, mas
acompanhava o meu blog, tinha ficado curioso para me conhecer e, como ele
mesmo disse, "virou meu fã". Acabamos fazendo sete programas juntos, desde
que nos conhecemos, até virarmos amigos. Há poucos meses ele tinha se
separado da mulher. No dia 12 de junho, surpresa!, ele me pede em namoro. Ele
já havia dado umas indiretas de que me bancaria se eu quisesse parar de fazer
programa. Expliquei (e ele, com muita maturidade, entendeu) que saí de casa
para ser independente. Ele me respeita e segura bem a barra de estar comigo.
Tanto que já moramos juntos e temos planos para o futuro. Sinto que ele é o
amor da minha vida. Minha mãe certamente iria adorá-lo. Sempre brinco com ele
que, depois dessa minha experiência, aprendi todas as desculpas que os
maridos dão para as mulheres para pular o muro. Ele vai ter de ser muito
criativo se algum dia cair nessa tentação... Coitado do Pedro. 
Quinta, 4 
QUINTO PROGRAMA 
Êêêê! Até que enfim alguém me chamou para ir ao swing.!! Chegamos às
23 horas e saímos às quatro. Ele já tinha saído comigo umas três vezes. 
Com ele me deu, pela primeira vez, uma sensação estranha no final da
noite. Acabei chorando no quarto de casais. Hoje tava lotado, mas não estava
legal, apesar de ter um pessoal bonito.
Havia muitos molequinhos sozinhos, muita mulher fresca e, no
labirinto, às quintas, é permitida a entrada de homens sozinhos. Ou seja: não
dá pra ficar passeando por lá, porque fica parecendo urubu em cima da
carniça. Sério... Mas o som estava excelente, com muito flashback. Tocou até
uma das minhas músicas preferidas (não sei o nome, mas sei que é do The Mamas
& The Papas). Para azar dos homens, quinta também é dia de show de stripper
só para a mulherada. Não fui puxada para o meio dos shows, como quase sempre
acontece. Até mesmo porque eu não estava a fim. Trocamos três vezes de casal,
mas apenas uma delas valeu a pena pra mim. No primeiro, a menina era muito
gostosa, mas ela não ficava com mulher, para minha infelicidade. Quando tirei
minha blusa, ela apertou meu peito e disse "é silicone, né, fia?".
Me chamar de fia , ainda mais no meio do sexo, foi brochante.
Ri na caradura. Odeio que me chamem de filha. E muito menos de fia.
Ninguém merece ficar ouvindo sinopse de filme no meio do swing. 
O parceiro dela também era um moleque chato, que queria gozar no meu
peito. Não aceitei, mas ele insistiu. Como não gosto de ver ninguém
insistindo em algo que não estou a fim de fazer, acabei falando que deixava.
Na hora em que ele foi gozar, eu sacaneei: saí da frente e nenhuma gotinha de
porra caiu em mim. A segunda troca foi com um japinha de quem eu até gostei,
mas na hora "H", não curti. Estávamos transando comigo de quatro sobre o sofá
e ele de pé. Ele metia muito forte.
Para me proteger, virei o rosto de lado para não bater o nariz com
tudo na parede. Porém, acabei batendo a cara com tudo. Vi estrelinhas. Ele
foi um pouco agressivo, mas, por sorte, gozou rapidinho. Meu cliente fingiu
que gozou com a "fia" só para eles saírem rapidinho e a gente poder transar
só os dois. Comigo, ele gozou.
Depois da terceira troca (não tive coragem de pegar a menina do cara,
apesar de estar louca pra chupar ela), um carioca muito bêbado me puxou e
começou a falar que, assim que me viu, lembrou do filme Perfume de mulher, e
começou a contar o filme todo.
Antes da terceira, paramos no labirinto. Tinha uma tia de uns quarenta
anos que estava se amassando com o marido, mas chupando um cara. Uma
chupadora convicta: do nada, aparece um outro pau e ela abocanha. De repente,
começou a aparecer homem de tudo quanto é tipo e de tudo quanto é lado para
ser chupado pela tia. Pelas minhas contas, ela chupou sete paus. Até pensei
que o povo ia começar a tirar senha. Até aí, tudo bem. Se bem que eu, mesmo
sendo a puta, nunca chuparia sete paus num swing.
Notei que a tia não olhava pra cima. Ela não sabia a quem pertenciam
aqueles paus todos. Apenas ia pegando e enfiando na boca. Eu só prestava
atenção no naipe dos caras: todos nada a ver, para ser bem-educada. Quem sou
eu para criticar alguém? Mas confesso: fiquei assustada. Vai ver era sua
fantasia. Não sei se tive mais nojo da tia ou dos homens. Homem é PHODA!
Homem, quando quer gozar, enfia o pau no primeiro buraco que vê pela frente.
Só não enfia num buraco na parede porque ela não geme. Ainda não tinha
chupado nenhuma boceta. Estávamos na salinha onde entram apenas casais e ela
começou a tocar em mim. Depois, sugeriu que fôssemos para um quarto
privativo. Nos chupamos muito, mas eu não consegui gozar.
Porém, ela gozou na minha boca. A boceta dela é do jeito que eu gosto,
bem carnudinha.
Com todos os relacionamentos que já tive trabalhando, aprendi que só
vão me respeitar novamente como mulher no dia em que eu parar de fazer
programa. E tem mais uma lição nisso tudo: quando isso acontecer, e eu
conhecer o homem da minha vida, aquele com que vou casar e ter filhos, não
vou contar que já fui garota de programa. 
Decidi: quero deixar tudo isso no passado. Esquecer? Não, isso é
impossível... Vamos dizer que colocarei essa experiência toda de vida numa
gaveta que nunca mais vou abrir. Com certeza vou morrer de medo de ele já ter
me conhecido como Bruna ou que descubra de outra forma. Mas tenho que deixar
claro: 
não sou uma "madalena arrependida . Espero que com o Pedro seja
diferente, pois eu o amo muito e quero que ele saiba me respeitar. 
Uma das histórias clássicas de todo conto de fadas de prostituta é
encontrar o homem que vai tirar você "dessa vida". Não é que aconteceu
comigo? Era um cliente de 62 anos, viúvo e supercarente. Toda semana ele me
procurava para fazer programa, mas quase nunca transávamos, era mais conversa
(e isso é mais comum do que você imagina). Um dia, ele falou na lata: "Quero
conversar muito sério com você". Me disse que o filho, com quem ele morava,
ia fazer intercâmbio por um ano, e ele ia ficar sozinho. Me convidou para
morar com ele e pediu para eu parar de fazer programa. Ele bancaria tudo o
que eu quisesse: estudos, academia, roupas, ia me dar mesada, desde que eu
parasse com tudo. 
Falei que ia pensar e realmente pensei muito. No fundo, não ia parar
de fazer programa, mas ia fazer só com ele, também por dinheiro. Um único
cliente para o resto da vida (dele, o que poderia ser muito tempo). Minha
recusa não teve nada a ver com ele, que eu curtia de verdade, nem pela oferta
generosa, pois ninguém estava enganando ninguém ali. Pô, eu saí da casa dos
meus pais para ter mais liberdade. Me prender a um homem, sem ser por amor,
era trocar uma gaiola por outra. Dourada, sim, mas uma gaiola. Sei que me
daria muito bem nessa, que recusei a oferta da vida de muitas garotas que
vivem como eu, mas também tive medo de que ele morresse e jogassem a culpa em
mim. Acho que já vi muito disso em filmes e na vida real por aí. 
Se não é todo dia que alguém resolve "salvar sua alma guardando seu
corpo", algo muito comum, depois de fazer muitos programas com o mesmo cara,
é virar amizade. 
Hoje, todos os meus amigos são meus ex-clientes. Meu melhor amigo
chegou a fazer cinco ou seis programas comigo. E, em muitos deles, a
sacanagem ficou
em segundo lugar. Em seguida, passamos a nos falar diariamente, sem
essa de falar só para marcar foda. Um dia, tive de deixar bem claro: "A
partir do momento em que nos tornarmos amigos, acabou o sexo". Não dá, não
rola. Eu não consigo fazer sexo com os meus amigos. Virou amigo, acabou a
relação garota de programa-cliente.
Esse é o meu limite pessoal.
Fato interessante: um deles já tinha feito programa comigo. 
Fato triste: cheguei em casa às cinco e meia da manhã... 
Terça, 12 
TERCEIRO PROGRAMA 
Fui a uma festinha com três caras, eu e mais uma "prima", mas um deles
ficou só de voyeur. Combinamos de nos encontrar no bar All Black e de lá
fomos para o apartamento de um deles. Foi uma surubinha bem tranqüila.
Primeiro, fiquei com um no quarto. Transamos um pouco e ele só gozou depois,
no oral. Depois, ficamos bebendo um pouco e conversando com os outros dois na
sala, enquanto a menina entrou no quarto com o mesmo que eu estava. Acabei
deitando no sofá enquanto um me chupava e, para facilitar, o ajudei com o meu
dedinho. E gozei gostoso. O outro continuou apenas nos observando sentado no
outro sofá. Quando o "casalzinho" saiu do quarto, fomos nós dois, então.
Transamos um pouco, eu cavalguei e ele gozou no oral. 
Na rotina de uma garota de programa, o ginecologista tem papel
fundamental. É fato que ele tem de saber que eu faço programa. Isso é questão
fechada. De que outro jeito ele pode me orientar de verdade, me examinar com
o rigor que eu preciso para me proteger? O medo da Aids é o maior. Faço meus
exames a cada três meses e sempre é a mesma agonia. Sempre vou com muito
medo. Sim, me protejo, uso camisinha em todas as relações... Quer dizer:
quando o cara me come, sem chance de engaiolar o passarinho sem preservativo.
Mas, no oral, confesso que me arrisco. Meu médico me explicou que, num oral,
as chances de contrair são menores, mas estão lá. Principalmente se eu tiver
uma pequena ferida na boca, que é coisa que a gente nem percebe que tem. Sei
lá, às vezes, vou com a cara do cliente, me sinto à vontade, confio no que
estou vendo e caio de boca ao natural. Depois, bate aquele arrependimento.
Não dá para saber se o cara tem alguma coisa só de olhar. Mas nunca 
engulo. Até deixo o cara gozar na minha boca, curto, mas não engulo 
(raramente, vai). Eu diria que cinco em cada dez das vezes eu caio
nessa besteira de chupar sem camisinha. Mas quero cair cada vez menos. 
Cuidar do corpo sem cuidar da cabeça seria bobagem, né? Saúde ok,
cabelo ok (para inveja de um monte de meninas, meu cabelo é liso mesmo, não
precisa de chapinha. Que sorte a minha, não?), pele hidratada, unhas sempre
bem-feitas. 
Quando o "kit trabalho" está checado, me dou o direito de ter um tempo
para mim. Toda segunda-feira à tarde vou à terapia. Engraçado, pois a vida
inteira convivi com psicólogos. Agora, no entanto, é diferente. 
No começo, não sabia quem é que eu estava levando às consultas: a
Raquel ou a Bruna. Hoje não está mais tão difícil. Já passou aquela fase de
querer contar toda a sua história para o terapeuta, que é a mais chata e a
mais complicada. Hoje, sempre faço um resumo da semana anterior, mas falando
de como os acontecimentos afetam a Raquel, o que eu penso da vida, meus
planos. É óbvio que, no meio de tanta conversa sobre mim, acaba rolando falar
também de clientes e de programas. São coisas indissociáveis. 
Sexta, 22 
PRIMEIRO PROGRAMA 
Molequinho, mas que já é gente grande e bem sussu. Rolou afinidade. 
Programa em clima de putaria. Fato engraçado: ele pediu para que eu
desse um tapa na cara dele.
Dei com dó. Não consigo bater nem que me paguem para isso. Fato
interessante: fui "Bruninho"... Foi divertido e saí da rotina.
No primeiro tempo, quando comecei a chupá-lo, ele de cara me pediu
para fazer um fio terra .
Ok. Esse, fiz sem dó. Então, ele pediu para que eu colocasse a cinta
que tem um pau de borracha acoplado (óbvio). Mas ele já tinha perguntado pelo
telefone se eu tinha, então não foi nenhuma surpresa. Com o pau em mim, me
transformei no "Bruninho" e ele se tornou minha fêmea. Não fizemos nada
demais. E ele nem desmunhecou. Apenas o comi "de frango assado", enquanto ele
batia uma punhetinha. Depois, pediu para eu sentar na beirada da cama para
que ele sentasse no meu pau E ele gozou assim. Acho que comi ele gostoso.
Segundo tempo: foi a vez de ele me comer.
Cavalguei, dei de quatro, mas ele gozou de novo na punhetinha.

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