segunda-feira, 13 de julho de 2015

Sexta-feira, 3 de julho de 1942

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Sexta-feira, 3 de julho de 1942

Querida Kitty

Harry veio visitar-nos, ontem, para conhecer meus pais. Eu havia comprado um bolo recheado de creme, biscoitos, docinhos e mais uma porção de coisas gostosas para o chá. Mas nem Harry nem eu achamos legal ficar ali na sala, formais, um ao lado do outro. Fomos dar um passeio, e, ao trazer-me de volta, já passavam dez minutos das oito horas. Papai ficou zangadíssimo e achou que eu tinha feito muito mal, pois é perigoso para os judeus serem encontrados fora de casa depois das oito. Prometi-lhe que dali por diante estaria sempre em casa às dez para as oito.

Fui convidada para ir à casa dele, amanhã. Minha amiga Jopie vive mexendo comigo por causa de Harry. Não que eu esteja apaixonada por ele, isso não! Posso ter muitos flertes — ninguém acha nada de mais nisso —, mas um namorado firme, como diz mamãe, isso é coisa diferente.

Harry foi à casa de Eva uma noite dessas e ela me contou que lhe perguntou: — De quem você gosta mais, de Anne ou de Fanny? — Ele respondeu: — Não é da sua conta. —
Mas quando foi embora (eles não haviam mais conversado durante o resto da noite) disse a Eva: — Olhe, é de Anne. Até logo e não conte nada a ninguém. — E partiu, como um raio.

É fácil perceber que Harry está apaixonado por mim, e isso é divertido, para variar. Margot diria: — Harry é um rapaz direito. — Concordo, mas acho que ele é mais do que isso. Mamãe não poupa elogios: um rapaz bonito, um rapaz bem-educado, um rapaz simpático. Ainda bem que toda a família o aprova. Ele também gosta de todos, mas acha que minhas amigas são muito criançolas. No que tem toda a razão.

Sua Anne.

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